24 de julho de 2012

Portugal - Porto - Parte I


Há alguns anos eu visitei nossos colonizadores e há algum tempo resolvi fazer um outro passeio à terra que nos deu a língua portuguesa como herança.

Nas duas vezes que fui à Portugal me senti em casa sem estar em casa. Sensação estranha. O jeito deles falar é diferente, mas acho que a hospitalidade e a comida são como em casa.

E como diz um colega, Portugal é o país das piadas prontas: muitas expressões e nomes engraçados.

Portugal, na época das navegações (por volta de 1500), era bem desenvolvido tanto culturalmente quanto economicamente. Os famosos azuleijos do Porto e castelos do sul foram construídos nessa época.

Bom, as viagens que fiz foram para Porto e Lisboa. De cada uma delas gardo boas lembranças. De Lisboa me lembro dos pastéis de Belém e o vinho do Porto.

Portugal - Fonte: Google maps.

Vou começar com Porto, pois foi a viagem mais recente que fiz e está mais fresca na memória.

Igrejas

Igrejas e monastérios não faltam em Portugal, eles são bem religiosos. A diferença entre as igrejas européias e as do Porto está na fachada das construções.
Nada de estátuas trabalhadas nem detalhes na pedra. No Porto, as igrejas são revestidas de magníficos azuleijos pintados à mão com cenas bíblicas.

 Porto – 03/2012 : Igreja Santo Ildefonso

 Porto – 03/2012 : Igreja do Carmo
 Porto – 03/2012 : Detalhe dos azuleijos da Igreja do Carmo.

 Porto – 03/2012 : Torre dos clérigos – ótima vista do Porto.


 Porto – 03/2012 : Igreja da torre dos clérigos. Maria sofredora que me chamou atenção.


Porto – 03/2012 : Panorâmica da cidade, vista da torre dos clérigos. Destaque para a Catedral da Sé (não tem como não se sentir em São Paulo !!).


Porto – 03/2012 : Catedral da Sé e Pelourinho (1945).


Porto – 03/2012 : Igreja de São Francisco, pequena por fora … mas por dentro …


 Porto – 03/2012 : … um deslumbre !

 Nunca tinha visto uma igreja tão cheia de ouro e de rococó que até cansa de ver ! Muitas alegorias e detalhes, para mim a imagem campeã é a árvore de Jessé que mostra a linhagem de cristo, passando por Davi.

 Porto – 03/2012 : Detalhe afrescos da Igreja de São Francisco.

 Porto – 03/2012 : Detalhe árvore de Jessé da Igreja de São Francisco.

Porto não acaba aqui não, ainda tem uma segunda parte onde mostrarei as ruas, a beira do Douro e falarei sobre o famoso vinho do Porto.

5 de junho de 2012

Construções Paris: 05 Palais de l'Elysée


Em maio não pude publicar o post sobre as construções de Paris, então vou tentar recuperar o atraso …

A construção da vez é o Palais de l’Elysée. Nesse palácio mora o presidente da República. Esse ano, mais precisamente em maio, a casa recebeu o novo morador. François Hollande é o atual presidente, que ganho do Nicolas Sarkozy.

O casarão foi construído entre 1718 e 1722. Passou na mão de vários proprietários (até Luis XVI) e em 1795 recebeu o nome de Elysée.

Por volta de 1800, ninguém mais que ele, Napoleão, toma posse do prédio até sua partida para a Austria. O Elysée vai para a mão do rei Luis XVIII e vira a residência do presidente só em 1848.

O Palais de l’Elysée é aberto uma vez por ao ano ao público durante as Journées du Patrimoine (dias do patrimonio – geralmente em setembro), um evento que abre vários prédios públicos para visita. Esse é o evento que mais gosto na França, pois é possível entrar em vários prédios bonitos e conhecer mais sobre a história do país.

Se chegar cedo (6h da manhéa !), é até possível ver o presidente ! Quando fui lá há cinco anos, vi o Sarkozy que acabava de tomar posse.


Paris - 09/2007: Sarkozy, recém chegado ao Elysée.


 Paris - 09/2007: Praça da Concordia, à caminho para a fila do Elysée.

 Paris - 09/2009: Fila gigante para entrar no Elysée - da volta em varios quarteirões!


  Paris - 09/2009: "Quintal" dos fundos do palacio.

  Paris - 09/2009:  Sala de jantar estilosa.

  Paris - 09/2009: Biblioteca onde a maioria dos presidentes tiram a foto do mandato.

  Paris - 09/2009: Sala de jantar.

 Paris - 09/2009: Sala onde o presidente debate com os ministros.

 Paris - 09/2009: Escritorio do presidente.


  Paris - 09/2009: Portão de entrada oficial do Elysée.

                                                         Paris - 09/2009: Porta de entrada do palacio.

Foi interessante visitar a casa do presidente! 

3 de junho de 2012

O retorno

Meu computador novo chegou e minhas fotos, documentos foram recuperados.  Agora posso voltar a postar, ebaaaa !!

Durante a época sem computador, eu pensei muito sobre o quanto somos dependentes de eletronicos.

Sem a maquina de guerra eu tive mais tempo livre para mim e para atividades que sempre são renegadas, como: limpar casa, arrumar armarios, ler livros, telefonar aos amigos, fazer bolinhos, pintar a unha, etc.
Também dormi melhor, deitava mais cedo e acrodava bem disposta para a labuta diaria.

Foi um bom mês, onde me desliguei completamente da tecnologia, dado que meu telefone so serve para telefonar ... O lado ruim é que também fiquei desligada dos amigos e familia, que so se comunicam por e-mails. 

Também foi complicado gerar minha vida administrativa, ja que pago contas e reservo viagens por Internet.

Cheguei à conclusão que não consigo mais viver sem computador. 
Era muito chato ter que passar no banco para ver o extrato da conta, ou ter que ir na loja da SNCF ( e esperar horas) para comprar um bilhete de trem.
Por outro lado, vi o quanto estava dependente desse objeto eletronico e quanto tempo ele rouba da minha vida. 

Agora vou tentar ponderar o tempo que passo na frente da telinha para aproveitar mais da minha vida. Veremos se conseguirei até o final do ano ...

Se não, espero postar em breve. Tenho muito material para o blog, ja que durante mais de um mês passeei bastante! 

Até breve!

22 de abril de 2012

Sem posts por um momento

Nesse final de semana meu computadorzinho, companheiro de varias aventuras desde minha re-chegada na França, entrou em estado vegetativo (não funciona mais).

O pobre não abre mais os olhos, apenas emite três sinais : biiiiip, bip, bip o que quer dizer que seu coração et/ou cèrebro foram afetados.
O transplante de um dos dois orgãos é praticamente impossivel. Uma operação sera realizada esse final de semana, mas as chances de sobrevivência são minimas.

Terei que me conformar em perdê-lo. Pelo menos as memorias restarão sempre comigo e lembrarei com saudades desse companheiro de 4,5 anos.

Me ajudou com meus estudos de mestrado, me divirtiu com séries e filmes quando eu precisava de distração, permitiu a comunicação com minha familia, permitia me relembrar dos momentos, era uma porta de comunicação entre eu e o mundo, era meu radio, minha televisão, meu telefone, meu supermercado, minha biblioteca, etc.

Bom, esse texto todo, que saiu totalmente improvisado, é so para informar que não poderei mais publicar minhas mensagens por um tempo.
Ainda não sei quando vou substituir meu computador e até la não tenho como colocar minhas fotos aqui.
Tento voltar no final de maio.

@+
Chocolatine Cramée

13 de abril de 2012

Construções Paris: 04 Hôtel des Invalides


O Hôtel des Invalides (atenção, Hôtel em francês não quer dizer apenas hotel, mas também palácio ou grande casarão – a espertona quando chegou na França, achava que o Hôtel de Ville da cidade era apenas um hotel que se chamava assim em todas as cidades, só depois eu descobri que na verdade era um prédio administrativo do município!) começou a ser construído em 1670, a pedido de Luís XIV.

O objetivo era abrigar os soldados inválidos da guerra ou soldados já velhos para servir o reino. Esse projeto fez parte do plano social e de caridade do século XVII e foi um exemplo para muitos países europeus que também contruíram seus “hotéis de inválidos”.

A construção termina em 1674 e 4000 pensionários moram no local controlado por um monastério et uma caserna. Em 1676, Luís XIV decide construir uma igreja (Eglise du Dôme com mais ou menos 10kg de folhas de ouro!) na parte de trás do hôtel. A cúpula tem 101 metros de altura e vira um ponto de refêrencia em Paris.

Durante o império de Napoleão I, a igreja é transformada em panthéon para abrigar os militares merecedores de honra. Em 1870 as cinzas de Napoleão I são colocadas nos Invalides, num túmulo de quartzo vermelho. Outro Napoleões e combatentes de guerras também estão no local.

Um museu do Exéricito foi criado por volta de 1880 e contém varios materiais de guerra como armas, armaduras de soldados, cavalos, canhões, etc.
08/2007 - Paris: Invalides visto da Ponte Alexandre III. Detalhe cupula ao fundo.

08/2007 - Paris: Portal de entrada dos Invalides.

08/2007 - Paris: Detalhe da fachado do Hotel dos Invalidos.


08/2007 - Paris: Altar no salão de entrada do monumento.


08/2007 - Paris: Detalhe da cupula dourada que vimos ao longe.

XX/XXX Paris: Estatua do Napoleão.

08/2007 - Paris: Pomposo tumulo do Napoleão visto do alto. Até eu queria um tumulo assim!! 


08/2007 - Paris: Pomposo tumulo do Napoleão visto de baixo.

08/2007 - Paris: Museu das armaduras. Este local é um deposito de armaduras, repare na estante à direita da foto.

08/2007 - Paris: Detalhe das alças de um canhão. Achei bem interessante o motivo do casal se beijando. Eu não esperaria esse tipo de decoração num canhão de guerra ... sera que os atiradores pensavam na amada deixada para tras enquanto derrubava o adversario?

08/2007 - Paris: Armaduras japonesas. Reparem que o estilo muda bastante entre as armaduras européias e a dos japoneses. São mais coloridas, o capacete é diferente, eles protegem mais os braços e têm essa espécie de sainha.

4 de abril de 2012

"Carnaval de Dunkerque"


Carnaval não existe apenas no Brasil, aliás o carnaval era uma festa pagã comemorada pelos europeus (povos nórdicos, latinos, germânicos) mesmo antes da época medieval.

A festa marcava o fim de uma época (o inverno) e o começo de um novo período (primavera). Os povos se fantasiavam, festejavam, cometiam excessos, faziam oferendas à deuses para terminar um período díficil do ano e recomeçar uma nova estação cheia de vida.

Na época medieval a igreja chegou e transformou a festa pagã numa festa religiosa. Onde o carvaval representava os abusos, excessos e pecados da vida antes da renovação da Pascoa (renovação do espírito).

Aqui na França fala-se de “terça gordurosa” (mardi gras), que precede a quarta de cinzas. Até esse dia as pessoas podiam “Carne Levare Lavemen” – comer carne antes de entrar na quaresma.

As fantasias passam a representar o vale tudo: não existe mais diferença social, o pobre se fantasia de rei, não existe mais diferença de sexo, o homem se fantasia de mulher, não existe mais diferença de idade, crianças se vestem de adulto.

Tudo isso para dizer que no final de semana do 25/26 de fevereiro fui para Dunkerque (norte da França – olha o mapa do google maps abaixo ...) comemorar o carnaval da região. Sim, não é apenas em Nice ou Veneza que existe carnaval!

 Dunkerque ao norte da França. Fonte: Google Maps.

O carnaval de Dunkerque é conhecido pelas suas fanstasias, mas principalmente por três eventos: pela marcha de carnaval que se passa ao longo de toda a cidade, por umas 5 horas, pelas “chapelles” e pelos bailes.

Vamos por etapas, vou explicar a história/origem desse carnaval, depois falo de cada evento.

A tradição do carnaval de Dunkerque surgiu no século XVII, quando os pescadores saiam por seis meses para a pesca de bacalhau na Islândia. Para dizer adeus, o povo fazia uma festa de três dias (les 3 joyeuses) antes da quarta de cinzas.

Dunkerque 02/12: Praia de Malô-les-Bains (com sol no Norte da França!).
Hoje, milhares de pessoas se reunem para três tipos de eventos diferentes durante o carnaval:

1.Baile

Durante dois meses e meio acontecem vários bailes de carnaval nas salas da região. Geralmente os locais têm duas salas, uma com banda local tocando vários tipos de música e outra onde os foliões tocam, cantam e fazem os famosos chahuts.
O chahut é o momento em que a banda toca uma marchinha empolgante e todo mundo começa a pular, dançar. Para proteger a banda, uma faixa de foliões unem os braços e seguram o povo. Parece ser bem físico e só quem é folião de longa data consegue aguentar e tem o savoir faire para evitar acidentes.

2.Marcha

O que eu chamo de marcha é o percurso que as bandas e os foliões fazem pela cidade durante as 3 joyeueses.
A banda vai na frente, existe os foliões que protegem a banda e fazem o chahut, atrás tem a galera que dança, canta as marchinhas.
Todos devem estar fantasiados. Também é tradição ter os guarda-chuvas de cabo longo e os chapéus com flores.

Eu simplesmente adorei o carnaval de Dunkerque (na verdade eu vi mesmo o de Malô les Bains – cidade conurbada à Dunkerque, mas ano que vem já sei onde vou ...). O clima é de muita alegria, todo mundo é bem recebido, de pobre à rico, de velho a novo, até pessoas de cadeira de rodas e bebes em carrinho participaram do carnaval.
Dunkerque 02/12: Prefeitura de Malô-les-Bains.

Dunkerque 02/12: Casinhas em estilo flamand na frente da prefeitura de Malô-les-Bains (detalhe para telhado e tijolinhos, parecidas com casinhas de Brugges).

Dunkerque 02/12: Concentração da banda na praça da prefeitura antes de começar o carnaval de Malô.


Dunkerque 02/12: Concentração dos foliões na praça da prefeitura de Malô.

Dunkerque 02/12: Foliéoes da primeira linha (que fazem o chahut) se preparando para o começo da festa.

Dunkerque 02/12: Foliões - reparem como é uma festa bem familiar.

Dunkerque 02/12: Marcha - muitos guarda-chuvas e reparem que todo mundo usa o chapéu de flores.

Dunkerque 02/12: Passagem da banda.

Dunkerque 02/12: Passagem da marcha na frente de uma igreja em Dunkerque.

Mais fotos das fantasias (que eles levam muito a sério!)

Dunkerque 02/12: Meninihas fofas de trigrinho.

Dunkerque 02/12: Nasa e extraterrestre.

Dunkerque 02/12: Smurfs fugindo da foto ...

Dunkerque 02/12: Galera na barraque à frittes (barraca de frita - tipica do Norte).

Dunkerque 02/12: O casal Simpsons.

3.Chapelles

Na manhã que precede a marcha, as pessoas recebem foliões nas suas casas para oferecer comida e bebida.
Os foliões e banda entram na casa, tocam músicas, comem, bebem, discutem com os donos da casa. Tudo num clima de muita alegria e sociabilidade.
Também é tradição o dono da casa jogar peixe (hareng) para os foliões. Aliás o prefeito de Dunkerque sempre joga os peixes e algumas lagostas de borracha (para trocar por verdadeiras).

O pessoal passa amanhã, a tarde, a noite, o final de semana a ir de casa em casa para fazer a chapelle.

Dunkerque 02/12: Foliões se preparando para entrar numa casa e fazer a chapelle.

Dunkerque 02/12: Bandinha fazendo chapelle numa das casas.

Dunkerque 02/12: Anfitrião jogando queijos, hareng (tipo de peixe da região - é tradiçao tbém) e outras coisas pela janela. Tipico das chapelles

Para terminar esse post, deixo um video com a marchinha de carnaval mais tocada, com o harengs sendo distribuidos e com a festa no meio dos foliões (esta tudo num unico video).