23 de novembro de 2013

Albânia - Parte III: Berat

A ida para Berat, cidade interiorana da Albânia, foi nossa primeira experiência com ônibus na Albânia.
Tínhamos lido em blogs e no guia que a melhor (ou melhor a única) forma de se locomover no país eram os ônibus.

Pegar carro no país seria um suicídio, dado que o povo não conduz bem (até a década de 90, só os membros do partido podiam conduzir) e a infraestrutura rodoviária é péssima. A rede ferroviaria não é bem desenvolvida e não há aeroportos além de Tirana.
Em Tirana, o pessoal do hotel não sabia dizer direito de onde saia o ônibus para Berat, não conheciam os horários nem os preços. O guia também não indicava onde ficava o terminal de ônibus para o sul do país.

Sabíamos mais ou menos de onde eles podiam sair e na véspera da partida procuramos o tal do terminal. Pedíamos informação na rua, mas ninguém respondia de maneira precisa.
Depois de andar umas duas horas, avistei um ônibus numa rua e fui lá ver para onde ele partia. Havia um terreno com varios ônibus estacionados, uma vã vendendo comida e uma placa com destinações e horários.

Tirana - 08/2013: Terminal dos ônibus que vão à Berat.


Tirana - 08/2013: Place dos horarios de ônibus.


Se alguém precisar da information, o terminal fica na rua « Rruga Muhedin Llagani » (link pro google maps):

Tentamos conversar com o dono da vã que não falava inglês. Ele chamou o filho dele (uns 12 anos) e conseguimos descobrir o horário e preço do ônibus (que não tinha nada a ver com a plaquinha). O garoto vestia uma camiseta da seleção brasileira e aproveitamos para puxar um papo. Eles ainda não tinham visto um brasileiro por ali.

No dia seguinte fomos até o terminal e pegamos o ônibus. O preço era de uns 10 euros por pessoa e havia ônibus a cada hora para Berat. Partimos às 09h30 e tínhamos 100 Km para percorrer.
A viagem durou 4 horas, num pequeno ônibus, calor de 35°C e um homem que não parava de arrotar atrás de mim (ele tinha um problema, não era possível).

Durante a viagem eu descobri que o esporte nacional dos albâneses é dar carona. O motorista do ônibus parava para deus e todo mundo. Era fulano que subia e descia dali un ou dois quilômetros, gente carregando comida, baldes, enxada, produtos para ser vendidos, etc.

Esse foi o motivo principal de uma viagem de 100Km durar 4 horas. Parávamos o tempo todo. Normal, a rede de transporte não é bem desenvolvida e o povo não tem direito para comprar carro. Aliás os carros lá são normalmente velhos (década de 80 ou antes), em mau estado e às vezes com placa (ou sem) de imatriculação estrangeira (Canadá, US, etc).

Berat é uma cidade gracinha, tombada pelo patrimônio da Unesco. É uma das poucas cidades do país a guardar resquícios da arquitetura otomana, empregada durante a ocupação turca no território. Ela é conhecida como a "cidade das mil janelas".

O que mais chama a atenção na cidade são as casas que têm o mesmo estilo arquitetônico : múltiplas janelas quadradas, fachada branquinha e telhado de um alaranjado escuro. Como a cidade fica no meio de um vale, as casas ficam nas escarpas e propiciam um quadro visual muito bonito e meigo.

Berat - 08/2013: Bairro Gorica, numa das beiras do rio Ossum.

 Berat - 08/2013: Rio Ossum e ponte separando as duas margens da cidade.


Berat - 08/2013: Bairro de Magalem, numa das beiras do rio Ossum.

Berat - 08/2013:  Rua estreita do bairro Gorica. A maioria das casas são tomadas por vinhas e varias plantas que ajudam a refrescar. Encanto puro essa cidade ... da vontade de voltar la e ficar so vendo a vida passar ...

Berat - 08/2013: Chaminé charmosa. 

Berat - 08/2013: Ponte e mais janelas!


Essas casas foram construídas por volta dos séculos XV e XVI.

Além do visual, Berat tem uma citadela (fortificação com castelo e cidade) impressionante e que rende boas horas de visita.

Berat - 08/2013: Citadela, la no alto da montanha, vista do rio Ossum.

As fortificações são muito bonitas (datam de 1440) e até bem conservadas. A cidade no interior delas é linda, com suas casinhas de estilo otomano e ruas pavimentadas de pedra clara e bem polida. Porém, não sobrou muita coisa do castelo (data do século IV a.C).

Como o turismo ainda não é muito explorado na cidade, não há muitas explicações sobre a história da fortificação. O melhor é que você pode explorar cada vista da cidade e do vale sem ser importunado por uma leva de turistas.

Locais moram na cidade medieval e levam  a vida normalmente, o que torna o sítio mais típico e autêntico. Simplesmente adorei Berat e posso dizer que é uma pérola da Albânia de forte potencial ainda pouco explorado.

Há uns museus e igrejas na cidade medieval, mas estavam fechados quando chegamos.
Recomendo o restaurante de um italiano,  engenheiro mecânico convertido ao mundo gastronômico, que serve comida regional e produtos feitos/colhidos por eles mesmos (vinho, frutas, legumes). Um regalo ao paladar por um preço camaradíssimo.

A entrada do forte foi equivalente a uns 2 euros (200 leks por pessoa), nada perto do que a visita oferece.

Se Tirana pareceu ser uma cidade simples, Berat é uma cidade pacata, onde tempo passa devagar.
As pessoas são ainda mais simpáticas e acolhedoras !


Berat - 08/2013: Caminho que leva à citadela. As pedras são tão escorregadias que eu nem quero imaginar andar nelas num dia chuvoso ... 

Berat - 08/2013: Entrada da citadela. 

Berat - 08/2013: Mapinha da fortificação. Unica informação explicativa que encontramos no sitio. Se fosse na França, casa casa teria uma explicação historica mais os nomes das pessoas que viveram la ...

Berat - 08/2013: Igrejinha no melhor estilo ondulado, à la Gaudi. 

Berat - 08/2013: Detalhe das famosas casinhas. O primeiro andar é proeminente com relação ao térreo. A cada 20cm ha uma janela retangular de vidro quadriculado. 

Berat - 08/2013: Rua charmosa da citadela e parreiras atravessando casas. Por curiosidade, o vinho servido no restauranto do italiano vinha de parreiras da citadela, que ele cultiva no proprio jardim!

Berat - 08/2013: Ruinas da mesquita Branca - construida na época dos pachas turcos.

Berat - 08/2013: Ruinas da mais antiga das fortificações.


Berat - 08/2013: Igrejinha bizantina na escarpa da citadela. 

Berat - 08/2013: Minarete que sobrou da mesquita vermelha, a mais antiga de Berat e construida antes da invasão turca.
E possivel subir no topo do minarete e a vista de la é linda!


Berat - 08/2013: Mais fortificações e vista das montanhas do outro lado do rio Ossum.

Berat - 08/2013: Bairro de Gorica visto do alto da citadela. 

Berat - 08/2013: Para mostrar que a vida segue pacata e normal na citadela. Cachorro tirando um cochilo dos bons. 

Berat - 08/2013: Velhinhos jogando domino (e bebendo uma biritinha) embaixo do salgueiro ... um sossego ...

Berat - 08/2013: ... e uma vista de tirar o fôlego. Poderia passar uma vida olhando para essa paisagem!

Berat - 08/2013: Rua da cidade e postes mimosos.

Berat - 08/2013: Ruinas de um dos postos de observação da fortaleza.

Berat - 08/2013: O busto de uma personalidade que não consegui descobrir. 


Berat - 08/2013: Casinhas de Mangalem e citadela ao alto, na calada da noite albanesa.

 Passado um dia e meio em Berat, seguimos para Saranda e tem muito mais ônibus pela frente … 

13 de novembro de 2013

30 Memórias dos 30 (30)

Quando eu era pequena, às vezes meu pai me levava no trabalho dele. Eu adorava ver como era o escritório, achava tão adulto.
Na verdade, o que eu gostava mais era poder ganhar bloquinhos de papel e visitar o show room da fábrica de brinquedos (sim, meu pai trabalha numa fábrica de brinquedos).

Lembro do escritório, cara anos 80, com mesas retangulares, telas de computador quadradas ocupando metade das mesas, impressora barulhenta, papelada espalhada, telefones quadradões, pilhas de folhas de impressão de fatura …

Meu pai me colocava numa mesa livre e eu ficava lá no meio de papéis, blocos de nota, canetas de várias cores, grampeadores, carimbos, etc.

Ficava um tempo naquele lugar até a visita da fábrica começar. Só me lembro de andar em plataformas que ficavam à altura das máquinas e de ver várias caixas com partes de bonecas : cabeças, braços, pernas, torsos.

A visita terminava com o show room, os principais brinquedos estavam expostos em vitrines e tudo parecia tão mágico. Dava vontade de ter tudo : jogos, bonecas, carrinhos, móveis da Barbie.

Na fábrica tinha uma loja de venda para os funcionários com preços mais camaradas (eu imagino) e até brinquedos com defeito eram vendidos. Meu pai me levava lá para escolher uma roupinha de boneca ou um brinquedinho. Nossa, adora percorrer as prateleiras, ver aqueles produtos coloridos e imaginava minhas bonecas vestida com uma ou outra roupinha.


Era um dia feliz para uma criança !

9 de novembro de 2013

Albânia - Parte II : Tirana

Tirana foi nossa primeira e última parada na Albania. Sendo a capital do país ela tem uma estrutura turística aceitável, mas não é muita coisa quando comparada à outras cidades européias e até mesmo asiáticas.
Não há ofício de turismo na cidade (só vi um em Saranda), os mapas dos hotéis não são dos melhores e os recepcionistas não sabiam dar muitas informações. Não há uma rodoviária bem definida, ônibus partem de todos os pontos da cidade e só deus sabe onde elas ficam.

Tirana - 08/2013: Uma das "rodoviarias" de Tirana.

A qualidade dos hotéis que ficamos era correta à boa. Na primeira noite ficamos num hotel três estrelas correto (nada de luxo), com pessoal simpático e bem situado (Hotel Nobel, perto da praça Skanderberg). Nas últimas noites decidimos nos pagar um pouco de conforto e ficamos no único hotel cinco estrelas da cidade (Tirana International), que tem um preço barato (75 euros com café da manhã) pelo serviço proposto.

O povo albanês é muito, muito simpático. Sorriem sempre, tentam te ajudar mesmo não falando língua nenhuma. Na nossa luta diária para achar ônibus, nós costumávamos dizer a palavra ônibus, o nome da cidade, uns gestos com a mão para saber de onde ele saia e apontando para o relógio para saber a hora. Até que conseguimos nos virar … mas se as pessoas falassem inglês ajudaria.

Como o povo não está acostumado com turistas e como o país abriu suas fronteiras há pouco tempo, eles ainda não sabem enganar turistas e ainda não entenderam que os estrangeiros têm um poder aquisitivo muito, muito maior que o deles.

Então, a boa coisa era que nós pagávamos os mesmos preços dos locais e que tudo era uma pechincha se convertido em euro. Nem na cotação de moeda eles tentavam ganhar dinheiro. Para vender euro e comprar lek, a comissão era de 2 centavos de euro !
Para ter uma idéia de preços, com 1 euro era possível comprar 14 bolas de sorvete ! Na França você compra uma bola por 2,5 euros … na Albania eu alimentaria mais de três times de futebol ! Uma refeição completa, com vinho, saia por uns 15 euros, em restaurante chique.
A entrada do museu era menos de dois euros.

Achei o país realmente seguro. Em nenhum momento tive medo andando nas ruas e as próprias pessoas dos hotéis nos diziam que era tranquilo sair à noite em qualquer bairro da capital.

Arquiteturalmente a Albânia é uma zona. Alguns lugares você vê que há um esforço em construir prédios bonitos, manter os jardins bem cuidados e ruas bem sinalizadas, mas basta virar o rosto e você se depara com prédios não terminados, fios pendurados por todos os lados, ruas esburacadas, terreno baldio com lixo. O que é uma pena, pois ao lado de belos monumentos você tem a bagunça. O planejamento estético da cidade é nula.

Tirana - 08/2013: Prédios e jardim à beira do Rio Lena (rio que corta a cidade de Tirana).


Tirana - 08/2013: Prédio pintado e praça. O prefeito da cidade decidiu pintar os prédios de cores vivas para embelezar a cidade.

Tirana - 08/2013: Prédio arrumado e prédio inacabado. Fios por todos os lados.


Tirana - 08/2013: Terreno baldio no meio da cidade.

Apesar disso, ainda é possível cortar a cena e ter belas fotos.

Na Albânia me senti em alguns bairros pobres de São Paulo, onde casas arrumadinhas convivem com casas zoadas e tá tudo bem, o que importa é que o povo é simples, honesto e feliz.

Acredito que parte da alegria e simplicidade dos albaneses venha do passado difícil e tumultuado que tiveram. A nação é recente e a paz também, por isso que o povo é sossegado.

Quando eu digo que passei o verão na Albânia, o povo me pergunta : « mas o que tem para fazer e ver na Albânia ? ». Eu digo que não tem nada de mais, mas é um país pitoresco e autêntico e apenas isso vale a viagem. Passear pela Albânia me deu um sentimento nostalgico, eu imaginei um Brasil antigo (interior de SP), da época dos meus pais (ou talvez avós), onde não havia muita infra-estrutura, mas havia a simplicidade e não havia a enganação (tirar vantagem dos outros).

Depois do blá, blá aqui vão algumas fotos das principais atrações de Tirana, a capital da pequena Albânia. Explicações e curiosades estão descritas nas legendas das fotos.

Tirana - 08/2013: Praça Skanderberg - à esquerda a mesquita Etehen Bey (1794), um resquicio da arquitetura otomana.

Tirana - 08/2013: Praça Skanderberg - Museu Nacional Historico e seu famoso mosaico.

O museu de historia da Albânia é bem interessante. Ele conta a historia do pais desde sua ocupação pelos bizantinos, passando pela ocupação turca, Skanderber, movimentos de independência, ocupação comunista, guerras mundiais ... até a independência e criação do pais.

O mosaico da fachada do museu, inaugurado em 1981, simboliza a luta do povo albanês pela sua identidade e independência.
Achei interessante que um pais com mais de 70% de muçulmanos (nem parece, pois vi três mulheres com véu na viagem inteira!) tenha colocado uma mulher como lider do movimento.
Prestando atenção a mulher abre caminho para as diferentes identidades do pais (povo do campo, povo do sul, povo do norte) e tem uma arma na mão, chamando para a batalha.

Tirana - 08/2013: Museu Nacional Historico e seu ipressionante mosaico.


Tirana - 08/2013: Estatua de Skanderber, mosaico e bandeira. Adoro essa foto e vista à noite. 

Tirana - 08/2013: Mesquita de Etehen Bey à noite.

Tirana - 08/2013: Mesquita de Etehen - entrada.


Tirana - 08/2013: Detalhe de uma das pinturas da mesquita.

Tirana - 08/2013: Praça Skanderberg vista do Hotel Internacional de Tirana. Ao fundo os prédios do governo, à esquerda Opera e Mesquita, à direita a catedral de Tirana (cupula azul).

Tirana - 08/2013: Mercado à proximidade do centro. O que chama atenção é a organização dos ovos por tamanho. O preço varia en função do tamanho do ovo.

Tirana - 08/2013: Centro comercial Taiwan e parque Rina.


Tirana - 08/2013: Centro comercial Taiwan e parque Rina vistos da Sky Tower (um bar que roda e faz uma panorâmica da cidade).

Tirana - 08/2013: Achei curioso a senhora regando o parque. No final do dia, varias mulheres ficavam regando a grama dos parques. 

Tirana - 08/2013: A Pirâmide construida em 1988 para celebrar a morte do ditador Hoxha. O prédio foi inicialmente criado para abrigar um museu, mas acabou caindo no abandono. Hoje tem algumas salas de espetaculo e conferência.

Tirana - 08/2013: A Pirâmide.

Tirana - 08/2013: Bloku (antigo bairro comunista de Tirana que fora aberto à população depois do fim do comunismo) e bunker (muitos bunkers foram instalados no pais durante as guerras).


Tirana - 08/2013: Bloku (bairro mais bonito e arrumado de Tirana, onde estão celebridades e o governo) e a Praça Madre Teresa (mudeu de arqueologia ao fundo).


Tirana - 08/2013: Na Albânia não tem MC Donalds (é o unico pais da Europa que não tem o grande M), mas eles têm uma versão albanesa da rede de fast food, o Kolonat.

Tirana - 08/2013: Mercadinho de frutas, gostei do constraste das cores. Da foto não da para ver, mas logo embaixo da telha havia uma bacia com azeitonas e da telha caiam gostas de agua direto dentro da bacia. Olha, não sei como não morrem. Fazendo um parenteses, até achei a Albânia limpinha, as pessoas não jogam lixos no chão (apesar de joga-los em terrenos baldios) e não vi nada muito sujão em termos de comida. Era bem mais limpo que a Tailândia, por exemplo.

Tirana - 08/2013: Catedral ortodoxa de Tirana.

Tirana - 08/2013: Mercado de rua perto da estação de trem de Tirana. O guia não o indicava e acabamos achando por sorte durante nossas buscas por ônibus. Esse mercado é muito tipico e é uma pena o guia não indica-lo. O que chamou atenção foi a quantidade de sapatos usados que eles vendiam. Era possivel encontrar todas as marcas, tamanhos e modelos.

Tirana - 08/2013: Mercado de frutas, cada vendedor expondo seu peixe, sem barraquinha mesmo.

Tirana - 08/2013: Senhorzinho vendendo mel. Sem muita frescura, na maior simplicidade.

Tirana - 08/2013: Oculos e relogios. Tudo em grandes quantidades. Na Albânia não existe as lojas de marca que você encontra no Brasil, Europa e Asia. São produtos locais ou dos vizinhos. A exportação de produtos estrangeiros não é muito forte e o comércio de rua e local prima. 


Tirana - 08/2013: Mais ovos!

Tirana - 08/2013: Mercado secundario de coisas velhas e usadas. A rua ja não é mais asfaltada e o povo é bem mais pobre. Essa é a cara da Albânia, um pais pobre, mas autêntico, com pessoas simples.

Proxima destinação Berat e a descoberta de andar de ônibus na Albânia.

6 de novembro de 2013

30 Memórias dos 30 (29)

Em casa nós nunca recebemos mesada. En função das nossas notas ganhávamos um dinheirinho no final do ano para comprarmos nossas bobagens.

Para ganhar um dinheiro extra, eu cheguei a vender pão de mel, bijuteria e trabalhei num buffet infantil.

Devia estar no primeiro colegial e numa das minhas visitas à 25 de Março uma vendedora nos disse que umas pulseirinhas estavam sendo bem vendidas e que nós deveríamos tentar vendê-las.

Não deu outra, com um capital total de 5 reais eu e minha irmã compramos algumas das ditas pulseiras e começamos a fazer nossa propaganda pelas escolas. As pulseiras se venderam como água e nós voltamos na loja para reinvestir o que ganhamos.

Parecia potência de 2, a gente dobrava o capital, ganhava quatro vezes mais, reinvestia, ganhava mais. As pulseiras eram uma febre, principalmente porque elas brilhavam no escuro. A molecada adorava usá-las na discoteca e encomendas choviam …

Além de pulseiras começamos a diversificar. Compramos brincos e colares. Um dia, uma menina do prédio (riquinha maluquete), comprou todo o nosso estoque. Foi a venda mais rápida, 50 reais em 10 minutos !

Bom, a moda não durou muito, mas foi o suficiente para ganharmos um bom dinheiro, mesmo se a soma não era muito, para nós representava bastante !

No ano seguinte, meu primo arrumou um trabalho para mim num buffet infantil. Eu era « monitora » e tinha que cuidar das crianças que ficavam nos brinquedos.

Eu tinha que verificar se ninguém se machucava nos brinquedos e se as crianças não se matavam entre elas. As vezes tinha uma que ficava perdida (ou entalada) no meio do brinquedo e toca eu subir, descer, engatinhar naqueles brinquedos sujos … Outras vezes eu devia acompanhar a criança de 2 anos que os pais faziam questão que fosse no brinquedo.

Eu gostava quando podia ficar na recepção recebendo presente e mandando o povo entrar. Foi uma epécie de promoção a primeira vez que pude ficar na entrada da festa ! Geralmente as meninas não deixavam eu ficar lá porque eu só falava de vestibular … elas estavam mais interessadas em falar de roupa e meninos.

Naturalmente fui excluída, mas não ligava, porque às vezes no final da festa eu podia ajudar a garçonete à servir docinhos ! O que era mais prestigioso ainda, pois as garçonetes ganhavam mais.

Só fui perceber que eu era explorada depois que saí do buffet. Eu ficava 4h na festa, chegava uma hora antes da festa começar, partia uma hora depois. Trabalhava 6 horas pela módica soma de 15 reais (ou 10 reais não me lembro direito) !

Fui demitida quando cobrei o chefe das 10 festas que ele me devia nos últimos 2 meses …


Com o dinheiro que ganhei pude comprar o tênis keds da moda. Usava ele praticamente todos os dias para rentabilizar o custo.

2 de novembro de 2013

Albânia - Parte I : Historia e Tirana

2013 foi um ano com poucas férias se comparado ao ano de 2012.

No verão só tive uma semaninha de descanso e o orçamento estava limitado. Seguindo a sugestão de um amigo, decidimos ir para a Albânia.

A Albânia é um país dos balcãs, que fica acima da Grécia e abaixo da Macedônia. Difícil visualizar ? Dê uma olhada no mapa.


Fonte: Google Mapas.

O país é o segundo mais pobre da Europa e até há uns dois, três anos estava num clima de guerra (por causa do Kosovo).

Por quê a Albânia ? Porque era uma destinação próxima da França, barata (mesmo !) e pouco turística (mesmo !). Depois de visitar à Croácia, vi o boom do turismo em massa num país. Queria ter a oportunidade de visitar um país que ainda não tivesse sido invadido por turistas.

Só achei um guia (bem mal feito) falando do lugar e pouca informação na Internet. Pretendo dar algumas dicas nos meus posts, para ajudar pessoas que buscam informação sobre essa destinação.

Antes de entrar nos detalhes da viagem, vou mencionar rapidamente a história da Albânia.

Durante a antiguidade, a Albânia era ocupada pelos gregos e tribos ilíricas e influênciada pelos Impérios Romano e Bizantino. Em 395, a região é dividida em dois. Uma parte Império Romano e outra Bizantino.

No ano 580, os Eslavos se instalam na região e tomam o poder dos bizantinos. Estes retomam o poder no século IX e impantam um sistema feudal.

Em 1190 é fundado o principado da Albânia, na cidade de Kruja, o que enfraquece a dominação bizantina.

Carlos I, rei da Sicília, influencia os nobres albaneses à proclamarem o Reino da Albânia e se coroa rei do lugar em 1272.

A partir de 1389 os otomanos começam a invadir o sul da Albânia e em 1501 ele dominam todo o país.

Eles ficam no país por vários séculos. Aos longos dos anos, a população se revoltou várias vezes contra as medidas e administração do império otomano. Ali Pacha Tepelena tentou liberar o país por volta de 1800, aproveitando a influência de Napoleão nos balcãs. Porém ele fora assassinado e os turcos continuaram dominando a região.

Por volta de 1878 os turcos começam perder influência por causa da guerra russo-turca. Os territórios albaneses são dividios entre Montenegro, Sérvia e Bulgaria. Em nenhum momento eles pensaram na questão da nacionalidade albanesa e no reconhecimento do país.

Em 1912, Ismaël Qemal aproveita da Guerra entre Motnenegro, Turquia, Sérvia, Bulagaria e Grécia, para declarar a independência da Albânia. Ele se torna o primeiro rei do principado Albanês.

Só que seu reinado não durará muito. Em 1914 a coroa é dada à um alemão. A Albânia torna-se cobiçada por vários países (Italianos, franceses) durante a primeira guerra mundial. Novamente seu território é dividido entre países e é palco de batalhas.

Só em 1920 a Alabânia é reconhecida como país, mas ainda há muitas questões sobre a delimitação do território. Em 1929 o principado passa na mão dos italianos (Vitório Emanuel II).

Durante a Segunda Guerra Mundial a Albânia é tomada pela a Itália e movimentos comunistas se instalam no país. Ela se aproxima das Iugoslávia, da Rússia e da China.
A influência comunista se termina nos anos 90, com eleições em 1992.
Até os anos 2000 o país passou por várias crises políticas. Em 2009 ele foi aceito como membro da Onu e começa a ter mais estabilidade e paz.

A história da Albânia é bem conturbada e o povo só conquistou a identidade albanesa recentemente. A dominação de diferentes povos explicará muito da arquitetura Albanesa e dos costumes também. Darei mais detalhes durante a explicação das cidades.

Meu roteiro foi corrido : Tirana (a capital), Berat (cidade medieval e patrimônio da Unesco), Saranda (cidade balneária), Butrint (reserva ecológica e histórica) e Kruja (cidade real).


Fonte: Google Mapas.

Só existe um aeroporto no país (Aeroporto Madre Tereza – ela se considerava albanesa e virou símbolo do país), o de Tirana (capital do país desde 1920). Então, para chegar no país você pode vir de avião, de barco (percurso Bari/Durres) ou de ônibus à partir dos países balcãs.

Eu fui de avião para lá e o vôo não custou muito barato. Para ir do aeroporto até a cidade há um ônibus que passa de hora em hora (das 7h às 18h) e que custa uns dois euros. É um ônibus antigo e com número de assentos limitados, mas é o que tem e quebra um galho. De táxi eu acho que custaria uns 15-20 euros até a cidade.

Tirana - 08/2013: Onibus que vai do aeroporto até Tirana.

Esse ônibus para perto da praça principal de Tirana : Skanderbeg.
A praça Skanderbeg é uma criação comunista. Ela é cercada de prédios públicos, considerados o conjunto mais harmonioso da cidade, dando um ar europeu para à pequena Tirana.

Tirana - 08/2013: Praça Skanderbeg vista do Hotel Internacional de Tirana. A esquerda a Opéra, ao fundo prédios da administração. 

Tirana - 08/2013: A esquerda a mesquita Haxhi Et'hem Bey, ao fundo prédios da administração.

No centro da praça há a estátua de Skanderbeg, figura nacional mais importante.
Skanderbeg fazia parte de uma família albanesa ilustre e foi o principal mentor da resitência albanesa contra a dominação turca entre 1440 e 1450.

Tirana - 08/2013: Estatua de Skanderbeg e Museu Nacional de Historia ao fundo.

Ele conseguiu evitar que o exército turco atravessasse o Adriático e contribuiu para o nascimento de uma identidade nacional.
No Museu de História da Albânia (que fica num dos lados da praça) conta-se a história de Skanderbeg e é possível ver suas armas e o famoso elmo com cabeça de bode.

Elmo de Skanderbeg - Fonte Wikipedia (fotos são proibidas no museu).


A bandeira da Albania adota o símbolo do dragão de duas cabeças que era usado pelo principado de Skanderbeg em Kruja.

Durres - 08/2013: Bandeira e simbolo da Albânia (não levar em conta a qualidade pifia da foto que foi tirada de dentro do ônibus).

Continuarei a falar de Tirana no proximo post, senão esse ficaria gigante. Ha ainda muita coisa para falar sobre a Albânia.