31 de agosto de 2013

Dubrovnik: a cidade de contos de fada

… da série Férias de verão Agosto 2012

Era uma vez um vilarejo muito formoso que fora fundado no século sétimo por gregos ou bizantinos. Ainda hoje a origem desse vilarejo é um mistério para a população local, talvez ele tenha sido criado por deuses, só isso explicaria tamanha beleza.

                                                  Dubrovinik – 08/2012: Cidade fortificada vista do alto.

A vida nessa cidade encantada não foi sempre um mar de rosas. Entre os anos 1205 e 1358 os venezianos tinham o poder da cidade e cobravam tributos altíssimos dos habitantes.


A partir de 1358 o povo retoma seu poder e Ragusa, nosso querido vilarejo, é um estado independente e feliz até que ele, o temível Napoleão (quem outro se não ele), toma o poder da cidade em 1806, deixando-a sob o império francês até o ano de 1814.

                           Dubrovnik – 08/2012: Porta de entrada (Porta Pile) de Ragusa (como a cidade é chamada pelos locais).

Dubrovnik – 08/2012: Detalhe de São Bra's, padroeiro de Ragusa curador das dores de garganta.

Então é a vez do império autro-húngaro chegar todo armado e tomar posse de Ragusa, ficando por lá mais de cem anos. Nossa bela Ragusa sofreu alguns bons anos, também pudera, sua localização e seu porto magnífico eram um atrativo enorme na Dalmácia. Controlar Ragusa, significava tomar conta do comércio no mar adriático. Sendo uma das mais belas cidades medievais do mundo, é de se esperar que ela seja cobiçada por muitos reinos e impérios.

Dubrovnik – 08/2012: Porto de Dubrovnik , fortificações à esquerda e cidade nova à direita.

 Dubrovnik – 08/2012: Porto de Dubrovnik  visto das fortificações e torre do convento dos dominicanos em primeiro plano.

O império austro-húngaro controlou a região por mais cem anos. Apesar do controle, a República da Dalmácia foi fundada e alguns partidos políticos e nacionais coexistiam.

Em 1918 é a vez do Reino da Yugoslávia tomar conta da Croácia. Ali ficaram até 1991 quando o povo já cansado de tanta opressão e controle resolve declarar sua independência e criar a República da Croácia.


A bela Dubrovinik, por ser tão estratégica, não saiu ilesa desse evento e foi bombardeada pela Yuguslávia. Sua população foi massacrada e suas fortificações muito destruídas.

Dubrovnik – 08/2012: Dos seus quatro lados, três são cercados pelo mar. As muralhas são uma defesa importante da cidade. Canhão apontando para o mar.

 
Dubrovnik – 08/2012: Parte do porto visto das muralhas.

Dubrovnik – 08/2012: Forte Bokar (à esquerda) e Forte Lovrijenac (à direita).

A comunidade internacional ficou com pena depois de tanta destruição e resolveu ajudar Dubrovinik a reconstruir sua antiga cidade. Hoje a cidade é classificada como patrimonio mundial da UNESCO.


Dubrovinik (ou Ragusa) é uma cidade encantadora e de encher os olhos:

Dubrovnik – 08/2012: Fonte de agua (Fonte Onofre -1438) na entrada da cidade antiga.

Dubrovnik – 08/2012: Stradun - rua principal de Ragusa, criada no século XII e que abrigava varios palacios até o seismo de 1667.


Dubrovnik – 08/2012: Monastério dos Franciscanos à esquerda (torre) e torre da Loggia ao fundo. Stradun vista do alto.

Dubrovnik – 08/2012: Igreja São Bra's. Construida em 1715 no melhor estilo barroco italiano.

Dubrovnik – 08/2012: Altar da igreja São Bras..

Dubrovnik – 08/2012: Estatua de São Bra's em prata que sobreviveu ao seismo de 1667. Na mão esquerda do santo ha' uma maquete de Dubrovnik antes do terremoto.

Dubrovnik – 08/2012: Praça da Loggia - Da esquerda para a direita: Palacio Sponza (1516-1521), Torre de guarda (XV) e Torre do relogio (1444).

Dubrovnik – 08/2012: Praça da Loggia ao fundo e Palacio do reitor à direita (XV).

Dubrovnik – 08/2012: Fachada do Palacio do Reitor (século XV) de estilo gotico renascentista. Até 1808 o reitor que governava Dubrovnik morava nesse edificio. Hoje, em seu inteirior ha o museu da cidade de Dubrovnik.

Dubrovnik – 08/2012: Rua da cidade vista da muralha.

Dubrovnik – 08/2012: Ruela verdejante.

Dubrovnik – 08/2012: Ruela e igrejinha ao fundo.

Dubrovnik – 08/2012: Interior do Convento dos Dominicanos (século XIV).

Dubrovnik – 08/2012: Reliquias do museu. Detalhe para os cérebros guardados como reliquia. Um deles é de São Tomas de Aquilino.


Dubrovnik – 08/2012: Interior do Convento - agradavel e fresquinho. Ajudava a suportar o calor de 40°C que fazia la fora e do sol que refletia nas pedras claras da cidade.

Dubrovnik – 08/2012: Escultura moderna de Maria e Jesus que estava na igreja do convento.

                                                               Dubrovnik – 08/2012: Fortificação e mar.


                                                           Dubrovnik – 08/2012: Bandeira da Croacia e muralha.

Dubrovnik – 08/2012: Lokrun, ilha proxima à Dubrovnik (15 ou 20 min de barco e com praias interessantes!).

Dubrovnik – 08/2012: Algumas ruinas na ilha de Lokrun.


Dubrovnik – 08/2012: Entrada de mar dentro da ilha, formando uma piscina de aguas claras ( e cheia de pedregulhos no fundo).


Dubrovnik – 08/2012: Praia de aguas cristalinas de Lokrum.

Dubrovnik – 08/2012: Costa Croata vista da ilha.

Dubrovnik – 08/2012: Pôr-do-sol visto do cruzeiro para terminar o dia de descobertas!

28 de agosto de 2013

30 Memórias dos 30 (19)

No meu último ano de colégio a única coisa que me preocupava era estudar para o vestibular e entrar na universidade.

No primeiro dia de aula eles anunciaram o plano das salas. Fui feliz para minha sala, garanti meu lugar na primeira fileira, colada com a cara na lousa, para não perder nenhuma palavra dos professores (sim fui e ainda sou nerd).

Fiz amizades com pessoas novas, pois eu fora separada da minha panelinha de nerds. Até aí problema nenhum, pois pessoas simpáticas sempre existem e eu gostava de fazer novas amizades.

Uma, duas semanas se passaram. O pessoal da sala começou a se enturmar e com isso veio a bagunça. Eu preocupada que era com meus estudos e sabia que eles dependiam de uma boa aula, não gostei da situação da sala.

Fui falar com a diretora e pedi para mudar de sala. Falei que aquela bagunça prejudicaria meu desempenho e que poderia resultar no meu fracasso no vestibular e que as estatísticas do colégio baixariam com menos uma pessoa na universidade pública. Ela tomou nota e mandou eu passear.

Passou mais uma semana e nada. Como aos domingos eu frequentava a missa do colégio e era amiguinha do padre, falei com ele sobre o assunto.

Não sei se ele deu um empurrão, mas na semana seguinte me mudaram de sala, fui para a sala dos meus amiguinhos nerds e fiquei feliz por ter aulas de qualidade, em silêncio.

Fiquei sabendo um ou dois dias depois, que o pessoal da minha antiga sala queria me bater e que se eu não ficasse esperta, eles iam me pegar na entrada ou saída do período escolar.

Hahahaha, quando lembro disso dou risada, um bando de crianças!

24 de agosto de 2013

Paris: Ïle aux cygnes e ponte de Bir-Hakeim

Em julho, a região parisiense passou por uma onda de calor que nos fez um bem imenso. Raios de sol quentinhos para nos fazer transpirar não faltavam. Foi muito agradável passear pelas ruas da cidade luz, iluminada pelo astro sol.

Mais agradável ainda explorar novos lugares da cidade. Em um dos meus passeios, acabei conhecendo a Ilha de cisnes (Île aux cignes), um pedacinho de parque perdido no meio do rio Sena, entre duas pontes.

A ilha artificial, que é na verdade um dique, foi criada em 1827. Hoje ela está entre as pontes Bir-Hakeim e Grenelle. Ela abriga 322 árvores de 61 espécies diferentes.
De cada lado da ilha há bancos para descansar e observar a paisagem sob a sombra de várias árvores.

Paris - 07/2013: Arvores da beira da Ile aux Cygnes.

Paris - 07/2013: Vista da Torre Eiffel e do Sena.

Paris - 07/2013: Ile aux cygnes passando embaixo da ponte. Da para perceber que o dique é bem fininho. Tem por volta de 11 metros de largura.

Ela é acessível pelos metrôs Passy e Bir-Hakeim, a ponte que dá acesso é uma visita por si só (criada para a exposição universal de 1878).

Fonte: Google Maps.

Nela pedestres, carros e metrô circulam em níveis diferentes. A arquitetura da ponte é imponente com as inúmeras colunas paralelas e a vista da torre Eiffel, como sempre, muito bonita.

Paris - 07/2013: Ponte de Bir-Hakeim vista dos pedestres. Dos lados passam carros e em cima o trem do metrô.

Paris - 07/2013: Torre Eiffel vista da ponte Bir-Hakeim e lustre da belle époque.


Paris - 07/2013: Monumento à batalha de Bir-Hakeim, construido na ponte.

Paris - 07/2013: Cavaleiro galopante desafiando a torre (talvez ele seja um Dom Quixote e pensa que a torre é um gigante ...).

Paris - 07/2013: Mais ponte, vista da lateral.

Paris - 07/2013: Por fim, ponte com o metrô, para não perder a poesia da paisagem!!

21 de agosto de 2013

30 Memórias dos 30 (18)

Depois de toda a alegria do trote na universidade, o primeiro dia de aula chegara.

Acordei cedinho (como acordaria pelos próximos 5 anos), peguei o metrô e ônibus, desci no ponto e caminhei em direção daquele prédio circular alaranjado, o vulgo cirquinho.

A bixarada estava toda lá, com cara de sono, mas ao mesmo tempo empolgada. Alguns encontrando velhos amigos do colégio e cursinho, outros perdidos, olhando para o infinito.

Chamaram a gente para o anfiteatro amarelo, Antônio Ermínio de Morais estava lá, para falar umas coisas na nossa aula inaugural. Não me lembro nadica do que ele disse.

A única coisa que me vem à mente quando penso no primeiro dia de aula é a música que colocaram para tocar no final :



Nossa, tive até vontade de chorar. Entrar na universidade era um objetivo de vida. As noites das semanas e os finais de semana estudando valeram enfim à pena. Todo o sacrifício para entrar foi apaziguado com a canção, meu futuro estava traçado, eu seria uma campeã …

Mal sabia eu que entrar na univerdade seria a parte mais fácil de tudo o que estava por vir (antes eu podia dormir à noite). Foi uma boa alegria e satisfação, mas ela durou pouco, na primeira prova já vi o que me aguardava pelos próximos anos … a universidade foi igual jogo de vídeo-game, cada phase (ano) era mais difícil e no final tinha o vilão que precisava ser derrubado (projeto de formatura).


Bons tempos, mas sofríveis …

17 de agosto de 2013

Ancona: a ocre


Ancona foi a primeira destinação do cruzeiro. A cidade fica na Ítalia e é o maior porto do mar adriático.

Ela foi fundada no século quatro antes de Cristo. Ainda restam alguns monumentos da época de Trajano (115 D.C.), como o arco que leva o nome do imperador.

Ancona - 08/2012: Arco de Trajano, resquicio da época greco-romana.

Ancona vem da palavra grega cotovelo e seu nome foi atribuído por causa de sua geografia (veja detalhe no google maps).

Ancona - Fonte: Google Maps.

O comércio foi e é a principal atividade da cidade por causa do porto natural. Ela recebe vários turistas, principalmente os de cruzeiros.

A cidade antiga fica entre o porto e o alto do monte Conero. Ela tem uma arquitetura medieval com ruas estreitas e cobertas de pedra (o que é bem agradável no verão). Nos séculos 14 e 15 Ancona prosperou bastante graças ao título de estado papal. Nessa época, vários monumentos de estilo veneziano e italiano foram contruídos.

Achei a cidade charmosinha, senti que ela tinha uma mistura de grega com italiana, o que é bem explicado pela sua própria história. Na minha cabeça, quando lembro de Ancona vem a cor ocre. As casas e prédios têm muros nessa cor alaranjada que é acentuada pelos raios do sol.

Em metade de um dia é possível visitar a cidade. A fortaleza (Lazzaretto) e a igreja São Cyriacos são a ver. O mais gostoso mesmo foi passear a esmo pelas ruas e descobrir um monumento em cada rua ou praça escondida.

Como dizem que uma imagem vale mais que mil palavras, seguem algumas fotos dessa nossa primeira destinação italiana do cruzeiro.

  Ancona - 08/2012: Catedral à esquerda e porto à direita. Cidade nova ao fundo.


Ancona - 08/2012: Fachada da igreja São Cyruacus. 

Ancona - 08/2012: Detalhe de um dos leões da fachada da igreja esculpidos em marmore rosa.

Ancona - 08/2012: Igrejinha, no melhor estilo italiano (o do não terminado, ou feito pela metade) e lambreta (so faltava um italiano bonitão em cima dela). 

Ancona - 08/2012: Ruas estreitas de Ancona e prédios em tons de ocre e amarelo pastel.

Ancona - 08/2012: Arcadas na praça principal, perto de onde ocorriam os mercados de Marte (Mars dies - terça) e de Vênus (Veneres dies - sexta).

Ancona - 08/2012: Praça central de Ancona. 

Ancona - 08/2012: Fonte no melhor estilo italiano, para refrescar o povo. 

Ancona - 08/2012: Detalhe da fonte e os caras de fauno.

Ancona - 08/2012: Museu da cidade  (parece que é assim que se chama mesmo).


Ancona - 08/2012: Igreja São Domenico. 

Ancona - 08/2012: Teatro Municipal. 

Ancona - 08/2012: Um prédio de estilo veneziano. no centro da cidade.

Ancona - 08/2012: Fachada gotica da igreja Santo Agostinho. 

Ancona - 08/2012: Placa poética - Viva bem, viva são, viva sem sujeira urbana.


Ancona - 08/2012: Forte Lazzaretto - ilha artificial, criada para aumentar a segurança do porto. 

Ancona - 08/2012: Uma rua de Ancona. 

Ancona - 08/2012: Uma igrejinha de Ancona. Achei bonito o contraste da pedra clara e o azul do menino Jesus.

Ancona - 08/2012: Porto de Ancona visto do navio. 

Ancona - 08/2012: O porto e farol vermelho.

14 de agosto de 2013

30 Memórias dos 30 (17)

Meu último ano de universidade foi um suplício. Meu dia começava às cinco da manhã e só acabava depois da meia noite.

Eu me desdobrava entre escola, estágio, projeto de fim de ano e trabalhos da universidade. Para complicar a situação, me deslocava entre Campinas e São Paulo durante os finais de semana para visitar meu namorado.

De manhã eu ia para a universidade, uma hora e meia de metrô e ônibus, aulas até meio dia. A tarde eu ia para o estágio onde ficava até as sete. Mais hora e meia e chegava em casa cansada, mas ainda tinha trabalhos para fazer e projeto de fim de formatura para fazer.

As únicas coisas boas de tudo isso era meu salário e meu projeto de fim de estudo. Toda sexta à tarde eu ficava no laboratório da naval para fazer ensaios com o protótipo de barco na bancada que simulava o mar.

O projeto era legal, pois misturava gente da naval e da eletrônica. A embarcação foi construída por um estudante da naval (que até estudou comigo no primeiro ano da Poli), a parte de hardware foi iniciada por uns amigos meus (que me indicaram o projeto) e o software foi feito em colaboração com um doutorando da naval.

Eu e meu colega de trabalho devíamos acrescentar alguns motores à embarcação e toda a parte de hardware e contrôle dele. O objetivo do protótipo era estudar o posicionamento dinâmico de embarcações petroleiras.

Então tínhamos que controlar a posição do barco com ajuda de uma camera e leds e também através de um joystick. Também colocamos alguns filtros de controle para minimizar a influência das ondas do mar (o banco tinha ensaio tinha simulador de onda de alta e baixa frequência).

Eu adorei esse projeto, pois pude manipular algo concreto e ver o resultado de todos os filtros teóricos de controle que aplicamos para controlar a posição do barco. Foi esse trabalho que encerrou meus estudos e que me permitiu ganhar o diploma de engenheira eletricista.

Saudades dessa época em que eu fui uma verdadeira engenheira …

10 de agosto de 2013

O cruzeiro

… da série Férias de verão Agosto 2012

No dia seguinte à visita de Trieste nós embarcamos no cruzeiro.
Deixamos nossas malas no pé do navio e seguimos para a entrada da embarcação. Eram mais de sete andares de cabines, restaurantes, bares e diversão. Mais de duas mil pessoas à bordo (contando com a tripulação).

Trieste - 08/2012: Costa Classica. 

Trieste - 08/2012: Costa Classica. 

 Ao contrário do que pensávamos, havia mais famílias do que casais e pessoas de idade. Tive a impressão que a italianada toda estava no barco, com suas crianças barulhentas e esfomeadas.

Depois do acidente com o Costa Concórdia, todo mundo tinha que assistir um vídeo e fazer um treinamento de emergência. Já fiquei esperta onde tinha colete salva-vidas e de onde saiam os barcos salva-vidas …

Passado o treinamento, era a hora de aproveitar dos inúmeros coquetéis oferecidos nos bares, pois não havia a menor chance de eu entrar no que eles chamavam de piscina ou jacuzi …
Quando vi oito pessoas disputando o jacuzi, com todas as bactérias possíveis e impossíveis do mundo, deixei para lá a idéia de tostar no sol.

Trieste - 08/2012: PArte de cima do navio. A piscina é o pequeno quadrado no centro. 

No primeiro, segundo dia, tudo é alegria. Você descobre a maravilha das bebidas open bar (claro pagando um menu mais caro), os restaurantes com comida à vontade, o espetáculo engraçadinho da noite, o casino, o pôr-do-sol no mar, o dormir numa cidade e acordar em outra.

No meio da viagem já não aguenta mais os doces que têm o mesmo gosto, o coquetel fraco sem muito rum, a mulher do « B » de bingo, bongo, bongo, os garçons mega serviais, a ducha que não funciona mais direito, a criançada gritando …

Aí você começa a prestar atenção nos personagens da viagem : o casal que esta em todas as brincadeiras, o casal de gostosos, a família mais gritona, as mulheres mais peruas, os tiozões, a criançadinha que pula na piscina e em qualquer outro lugar do navio, o pega-pega entre os monitores do barco e as histórias sórdidas (contatadas por um tripulante brasileiro – óbvio, estamos em todos os lugares !) da tripulação.

Falei, falei, mas para ir direto ao que interessa, vou falar dos prós e contras de um cruzeiro, na minha opinião.

Depois de alguns dias, a rotina do barco começou a me irritar. Todas tardes e noites eram a mesma coisa. Chega do passeio, vai tomar um banho, vê uma atividade, janta, faz outra atividade ou vai dar volta no navio, acorda, café da manhã, passeio, almoço, passeio e tudo recomeça.

Já não aguentava mais a mesma comida e a servialidade absurda dos garçons. Comecei a ver injustiças que me incomodaram. A tripulação trabalhava sem muito repouso. O garçon da janta terminava à meia-noite e já estava de pé as seis da manhã. Não tinha final de semana e ganha uma merreca. Achei o sistema explorador, sabendo que eles só ficam dois meses em terra, se não emendarem um cruzeiro no outro.

Não é a vida de sonhos que todo mundo acha … viajar o mundo, ganhar dinheiro e viver uma vida fácil.

Além das condições de trabalho, fiquei surpresa com a quantidade de comida desperdiçada. Os buffets tinham comida infinita e as pessoas trocavam de pratos sem mesmo encostar na comida. Dava dó ver tanta coisa deixada de lado.

No jantar era a mesma coisa. Você podia pegar quantos pratos quisessem, eles preparavam um pouco de tudo e o que sobrava era jogado fora, no mar. Num dos dias, visitamos a cozinha, onde nos mostraram que se a comida esfriasse, ela era jogada fora.

Não gostei de ver que meu dinheiro estava sendo usado para suportar esse tipo de modelo econômico.

Outra coisa que me desagradou foi a véspera do último dia e viagem. Nessa noite a tripulação faz uma lavagem cerebral nos passageiros. Eles montam pequenos espetáculos, mostram vídeos e depois explicam que temos que preencher um formulário e se não dermos notas boas apra eles, a tripulação não ganhará um dia de folga no mês !

Eles pedem na cara dura para que os notemos com a nota máxima, mesmo se há coisas erradas e que não são excelentes.

Aí você de coração mole, que viu seu garçon do jantar durante sete dias, sua camareira sorridente e sempre pronta para resolver pequenos problemas, esquece todos os pequenos problemas e injustiças e dá nota máxima para o barco.

Não gosto de chantagem emocional para desfarçar coisas que não estão corretas.

Bom depois disso tudo, a cerise sur le gâteau (a cereja do bolo) ficou para o final do cruzeiro. No último dia nos cobraram uma bebida que não tínhamos pego do frigobar (por quê eu pegaria coisas pagas do frigobar se podia pegar tudo de graça no bar e levar para o quarto ???).

Quando fomos soldar a conta, reclamamos da bebida contada à mais. Para nossa surpresa, havia uma fila de mais de vinte pessoas com o mesmo problema ! Para sermos reembolsados, tínhamos que dar nossos passaportes. Mas olha que surpresa, eles estavam com nossos passaportes (pegaram no começo da viagem) e só os devolveria por volta das 10h. O fechamento do saldo era até às 8h da manhã. Bom sem os passaportes, impossível ter algum reembolso …

Só sei que acabamos a viagem revoltadíssimos e me questiono se pegarei novamente um cruzeiro. A única coisa que me faria pegar esse tipo de passeio seria o roteiro. É muito prático e agradável dormir num lugar e acordar no outro. Você não se estressa com transporte nem com comida, com nada. Esse é o lado bom dos cruzeiros e os pores-do-sol também …

Trieste - 08/2012: Partindo de Trieste para novas destinações!

7 de agosto de 2013

30 Memórias dos 30 (16)

Saudades,

Quando eu aprendia gramática na escola, os professores falavam que essa palavra, melhor, substantivo (uuuuhh) só existe em português.
Acreditei e acredito, apesar de existir nesse mundo centenas de línguas. É verdade que em francês e em inglês a “saudades” é expressada por um verbo : manquer e miss, respectivamente.

As vezes páro e fico pensando no sentido, mais precisamente no peso que têm as palavras. Saudades tem um peso grande, é pesada e ao mesmo tempo leve. Nostalgia não é igual saudades. Outro dia, um francês disse que nostalgie do francês era igual nossa saudades. Não é. Nostalgia não é igual.
Banzo não é igual, em francês é mal du pays (dor do país).

Bom, estou falando de saudades, pois hoje me deparei com uma saudades grande daquelas, de fazer chorar. Mas um chorar feliz, um chorar do fundo do coração.
Lembrei do meu avô, que não está mais nessa terra que o verme há de comer.

Lembrei e deu saudades. E chorei. E um filme passou na minha cabeça. E aí me deu medo de esquecer as boas lembranças, os momentos que vivemos juntos e que me marcaram. Porque se eu esquecer dessas lembranças, eu esqueço dele. Ai não tem mais saudades.

Então resolvi escrever o que lembro do meu avô. Só para garantir …

***
Passarinhos estavam baixando no quintal da frente, que eu adorava por causa dos tijolinhos (restos de piso de banheiro, cozinha que meu vô arranjava por ali e por lá) coloridos e misturados.
Eu olhava, olhava o vai e vem. Meu vô resolve armar uma arapuca, para ver se a gente pegava um passarinho.
Ele pega a peneira grande que ele tinha, para limpar areia e cascalho. Arranja um pedacinho de galho, do limoeiro que nos faz sombra. Pega um pedaço de fio, daqueles grossos, que estava no rolo que minha avó usava para fazer os tapetes redondos que toda a família tinha em algum cômodo da casa.

O fio é amarrado no tronco, o tronco suporta a peneira que fica meio no pau, meio no chão. Meu vô diz que precisava pegar um pedaço de pão, senão o passarinho não vem !
Pega um pedaço de pão e manda eu me esconder dentro da casa e ficar segurando o fiozinho. Quando o passarinho entrasse na arapuca para pegar o pão, eu tinha que ser ágil e puxar fio.

Não  era rápida, não peguei nenhum passarinho. Mas voltei para casa feliz de ter aprendido a fazer uma arapuca !

3 de agosto de 2013

Tour de France

Na França, as férias de verão duram dois meses. De julho à agosto, o ritmo de vida fica mais sossegado no transporte, trabalho, nas ruas. Os cursos param, as aulas de esporte também, a maioria dos amigos viajam, as lojas fecham, os restaurantes não abrem e as coisas no trabalho ficam mais tranquilas.

Além da desacelerada do ritmo de vida, um dos eventos característicos do verão é o Tour de France (O percurso da França). O Tour de France é um evento esportivo no qual ciclistas do mundo inteiro percorrem cerca de 3000Km de percursos (etapas) na França (e países vizinhos em algumas edições).

O primeiro Tour aconteceu em 1903 sob a iniciativa de um jornal esportivo. Desde então ele seduziu o povo francês e permitiu que as pessoas vissem que existem outros lugares na França que Paris.


Até há alguns anos o Tour de France era uma mania nacional, mas os últimos escândalos relacionados à dopagem fizeram o evento perder o prestígio de outrora. Ás vezes é difícil acreditar que uma pessoa consiga atingir velocidades importantes em montanhas e aguentar mais de 300km de terrenos íngrimes.

A tecnologia molecular evoluiu bastante nas últimas décadas e dos simples complementos nutricionais, os participantes passaram à usar moléculas mais elaboradas e indetectáveis nos testes de contrôle de dopagem. Alguns ciclistas até fizeram transfusões sangüíneas durante o percurso para melhorar a oxigenação do sangue !

Será que hoje, na era da tecnologia e de todos os avanços químicos e biológicos, não deveríamos aceitar mais esse tipo de ajuda ao corpo para tentar  atingir limites cada vez mais audaciosos ? Será que o esporte não deveria ser revisto para determinar o objetivo dele : testar o corpo humano da maneira natural que ele é, sem ajuda da tecnologia ?

Todos os anos discutimos muito sobre o Tour de France e de todas as proezas (absurdas !?) dos ciclistas. Porém o objetivo desse post não é discutir esse assunto de dopagem, mas de indicar que esse ano foi o centésimo Tour de France e mostrar algumas fotos tiradas em Versailles.

A última etapa do Tour passou esse ano por Versailles e pelo parque do castelo. Já tinha tentado ver a chegada de um Tour em Paris, mas foi uma experiência super frustada. Não vi nenhum ciclista e fiquei horas esperando por eles.


Esse ano foi diferente. Em Versailles foi tudo mais calmo e até consegui tirar umas fotos !

Versailles - 07/2013: Carros com bicicletas de troca.

 Versailles - 07/2013: Caravana de propaganda que passa antes dos ciclistas. E através da propaganda das caravanas que eles arrecadam dinheiro para financiar o Tour.


Versailles - 07/2013: Os ciclistas. No centro da foto esta o melhor escalador do Tour (o que sobe rampas mais rapido) de blusa branca com bolas vermelhas. E ao seu lado o vencedor do Tour 2013, que esta de camisa amarela.

  Versailles - 07/2013: Mais ciclistas!

Versailles - 07/2013: Depois que os ciclistas passam (coisa de segundos), vêm os ultimos carros com as bicicletas de troca.